A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro e Zepbound, é hoje injetada semanalmente. Mas e se pudesse ser tomada em comprimido? Entenda o que a ciência já alcançou e o que ainda está em estudo.
O cenário atual: como a tirzepatida funciona hoje
A tirzepatida, comercializada sob os nomes Mounjaro e Zepbound pela Eli Lilly, chegou ao mercado como uma opção semanal injetável para diabetes tipo 2 e obesidade. O princípio ativo age imitando dois hormônios intestinais: o GLP-1 e o GIP, o que explicaria boa parte dos seus resultados em controle glicêmico e perda de peso.
Atualmente, o medicamento é aplicado por via subcutânea uma vez por semana, com doses que variam de 2,5 mg até 15 mg. A frequência semanal já representa um avanço frente a aplicações diárias, mas a necessidade de injeções ainda afasta parte dos pacientes. Muitos profissionais de saúde ouvidos pelo OzemNews relatam que a aversão a agulhas é uma das razões mais citadas por quem adia o início do tratamento.
Por que criar uma versão oral é um desafio científico
Quem acompanha o universo dos medicamentos GLP-1 sabe que a via oral traz dificuldades reais. Proteínas como o GLP-1 são degradadas no trato gastrointestinal quando ingeridas diretamente, sem que consigam chegar intactas à corrente sanguínea. A molécula da tirzepatida, por ser relativamente grande, enfrenta esse mesmo obstáculo.
A Novo Nordisk encontrou uma solução para a semaglutida oral ao combiná-la com um absorption enhancer chamado SNAC, que ajuda a molécula a atravessar a mucosa intestinal. Esse recurso permitiu o lançamento do Rybelsus, primeira versão oral de um agonista GLP-1 aprovada. Porém, até hoje nenhum medicamento que combine agonismo duplo de GLP-1 e GIP foi aprovado na forma de comprimido, o que mantém a busca por alternativas em aberto.
O que a Eli Lilly já comunicou publicamente sobre a versão oral
A Eli Lilly confirmou que pesquisa uma formulação oral de tirzepatida dentro do seu pipeline de desenvolvimento. A empresa não publicou, até o momento desta publicação, resultados de fase III específicos para essa versão. O caminho regulatório tradicional envolve fases de segurança, definição de dose, avaliação de eficácia e, por fim, confirmação em larga escala.
Nenhum prazo foi confirmado pela ANVISA, pelo FDA ou pela EMA para eventual aprovação. Isso significa que, na prática, estamos diante de uma possibilidade em estudo, não de uma promessa. O OzemNews segue monitorando os comunicados oficiais da farmacêutica e trará atualizações assim que houver informações concretas para compartilhar.
Orforglipron: a aposta oral da Lilly que já tem dados públicos
Enquanto a versão oral da tirzepatida ainda não tem resultados publicados, outro candidato da Eli Lilly já avançou mais no cronograma. O orforglipron é um peptídeo pequeno, distinto da tirzepatida, mas que também atua como agonista do receptor GLP-1. Diferente da tirzepatida, ele não imita o GIP.
Dados de fase II apresentados em congresso médico demonstraram perda de peso significativa em participantes do estudo. A Lilly informou em 2024 que o programa de fase III para orforglipron estava em andamento. Esse avanço sugere que a empresa vem construindo expertise na entrega oral de moléculas desse tipo, o que pode facilitar o desenvolvimento futuro de outras formulações.
Impacto potencial no mercado brasileiro caso a versão oral seja aprovada
Caso qualquer versão oral de tirzepatida ou de outro agonista dual GLP-1/GIP receba aprovação, o impacto no Brasil pode ser considerável. Um comprimido diário eliminaria a necessidade de aplicação subcutânea, o que poderia ampliar o acesso para pacientes com aversão a agulhas ou dificuldades com o manuseio de canetas.
A questão dos custos e da cobertura por planos de saúde continuaria presente. Produtos orais têm logística de armazenamento e distribuição mais simples comparados a canetas que exigem refrigeração, mas isso não garante redução automática de preço. Muitos fatores influenciam a precificação de um medicamento novo.
O que o paciente com diabetes ou obesidade precisa saber agora
A versão injetável da tirzepatida continua sendo a opção disponível e aprovada no Brasil. Pacientes que já utilizam o tratamento não devem interromper o uso esperando uma versão oral futura, pois cada caso tem particularidades que só o médico assistente consegue avaliar.
Entre as alternativas orais já presentes no mercado brasileiro estão a semaglutida oral, comercializada como Rybelsus, e a liraglutida oral, quando disponível. Essas opções têm mecanismos e perfis de eficácia diferentes da tirzepatida, por isso a orientação médica individualizada sigue indispensável.
Linhas do tempo e o que observar nos próximos meses
Congressos médicos como a ADA e a EASD costumam trazer atualizações da Lilly sobre o andamento dos ensaios clínicos. Acompanhá-los é uma forma de manter-se informado sem depender de rumores.
Registros clínicos públicos, como o ClinicalTrials.gov, permitem consultar o status de cada estudo. Mudanças de cronograma são comuns no desenvolvimento farmacêutico, já que cada agência reguladora exige análises rigorosas de segurança antes de cualquier avanço. Para quem acompanha o tema, o OzemNews em https://ozemnews.com costuma resumir os principais anúncios de forma acessível e sem exagero.
Perguntas frequentes
A tirzepatida oral já foi aprovada por alguma agência reguladora?
Não. Até o momento desta publicação, nenhuma versão oral de tirzepatida havia recebido aprovação do FDA, da EMA ou da ANVISA.
O orforglipron é a mesma coisa que a tirzepatida oral?
Não. O orforglipron é uma molécula diferente, também desenvolvida pela Eli Lilly, mas que atua apenas no receptor GLP-1, sem o componente GIP presente na tirzepatida.
Quando posso esperar uma versão oral de tirzepatida disponível no Brasil?
Não há prazo confirmado. O desenvolvimento clínico segue etapas que podem durar anos, e mudanças de cronograma são frequentes.
Posso parar meu tratamento injetável para esperar a versão oral?
Não é recomendável. A interrupção de qualquer medicamento para diabetes ou obesidade deve ser discutida com o médico assistente, que conhece seu histórico clínico.
Quais alternativas orais já existem no Brasil?
A semaglutida oral (Rybelsus) é uma opção disponível. Ela age no receptor GLP-1, mas não combina o agonismo duplo GLP-1 e GIP da tirzepatida.
Fontes
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
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