Entenda os fatores que fazem o Ozempic custar significativamente mais no Brasil do que em outros países, desde impostos até a ausência de concorrência.
O Ozempic, medicamento à base de semaglutida indicado para tratamento de diabetes tipo 2 e que também pode ajudar no controle do peso, custa no Brasil valores que chamam a atenção de quem pesquisa seus preços. Para se ter uma ideia, o preço de tabela das canetas injetáveis de 1mg e 4mg frequentemente ultrapassa centenas de reais nas farmácias brasileiras. A procura por medicamentos da classe GLP-1 cresceu bastante nos últimos anos, e muitos pacientes se perguntam: por que o Ozempic é tão caro aqui? Neste post, o OzemNews explica os principais fatores que fazem o Ozempic custar significativamente mais aqui do que em outros países.
A carga tributária sobre medicamentos no Brasil
Um dosvilupos mais impactantes no preço final do Ozempic por aqui é a tributação. Medicamentos no Brasil sofrem incidência de ICMS, que varia conforme o estado, podendo ficar entre 17% e 25%. Além disso, produtos importados pagam PIS e COFINS. Diferentemente de bens considerados essenciais, medicamentos de alto valor como o Ozempic arcam com essas alíquotas integralmente, o que representa uma parcela considerável do que o consumidor paga na farmácia.
Monopólio e registro da Novo Nordisk
O Ozempic possui registro ativo no Brasil concedido pela ANVISA em janeiro de 2019, e a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk detém a exclusividade de fabricação e distribuição. Enquanto a patente estiver vigente, nenhuma outra empresa pode produzir uma versão genérica ou biossimilar do medicamento no país. Até o momento, não há genéricos do Ozempic registrados pela ANVISA, o que significa ausência completa de competição de preços. Essa situação mantém os valores elevados, já que não existe alternativa mais acessível do mesmo fabricante competindo no mercado.
Custos de importação e logística
O Ozempic vendido no Brasil é fabricado na Dinamarca e precisa ser importado. Essa logística envolve custos cambiais significativos, já que o dólar varia constantemente frente ao real, afetando diretamente o preço final. Além disso, o medicamento exige refrigeração específica entre 2°C e 8°C durante todo o transporte e armazenamento. Essa cadeia de frio eleva os custos operacionais de importação, armazenagem e distribuição. A tributação de importação, incluindo Imposto de Importação e IPI, também pesa no cálculo do valor que chega ao consumidor brasileiro.
Margens de farmácias e distribuição
Antes de chegar às prateleiras, o Ozempic passa por uma rede de distribuição que adiciona camadas de preço ao longo do caminho. Farmácias costumam trabalhar com margens elevadas em medicamentos de alto valor, o que contribui para a diferença entre o preço praticado pelo fabricante e o valor pago pelo consumidor. No Brasil, a estrutura de distribuição inclui intermediários, cada um aplicando seu próprio markup sobre o produto.
Comparativo de preços internacionais
A diferença de preços entre o Brasil e outros países é notável. Nos Estados Unidos, o Ozempic pode custar centenas de dólares por mês sem seguro de saúde. Na Europa, alguns países conseguem preços menores graças a negociações governamentais com fabricantes de medicamentos. O Reino Unido, por exemplo, tem o NHS negociando valores diretamente com a Novo Nordisk. Essa disparidade ocorre porque muitos países utilizam poder de compra coletivo para pressionar preços para baixo, enquanto no Brasil a negociação é mais fragmentada.
O que mudou com a chegada de concorrentes
Nos últimos anos, a ANVISA aprovou medicamentos concorrentes, como a tirzepatida (Mounjaro), que pertenece a outra classe de medicamentos GLP/GIP. Também surgiu a semaglutida em versão genérica registrada por outros laboratórios. Essa entrada de concorrentes no mercado poderia pressionar os preços, mas até agora não houve redução significativa nos valores do Ozempic. O Wegovy, outra caneta de semaglutida da mesma fabricante voltada para obesidade, chegou ao Brasil com preço elevado e posicionamento premium. A competição ainda não gerou o efeito de barateamento que muitos esperavam.
Perspectivas e alternativas para o paciente
Pacientes que buscam alternativas podem verificar se seus planos de saúde cobrem o Ozempic, já que a cobertura depende do Rol de Procedimentos da ANS e de análises clínicas individuais. Existe também a possibilidade de recorrer à judicialização em casos específicos. A Novo Nordisk oferece programas de suporte ao paciente que podem incluir benefícios, mas é importante verificar diretamente com o fabricante quais estão disponíveis no Brasil. Farmácias certificadas e com boa reputação são sempre a melhor escolha para garantir a procedência do medicamento. O OzemNews acompanha de perto as movimentações do mercado e mantém você informado sobre possíveis mudanças nos preços e disponibilidade de alternativas.
Perguntas frequentes
Existe genérico do Ozempic no Brasil?
Até o momento, não há genérico do Ozempic registrado pela ANVISA. Existem versões genéricas de semaglutida para diabetes, mas não especificamente do Ozempic, que é uma caneta injetável específica.
O plano de saúde é obrigado a cobrir o Ozempic?
A cobertura não é automática. Depende de análise clínica e, em alguns casos, pode ser obtida via judicialização mediante laudo médico justificando a necessidade do tratamento.
Por que o Ozempic é mais barato em outros países?
Outros países negociam preços com fabricantes de forma centralizada, possuem sistemas de saúde públicos que pressionam valores e têm estruturas tributárias diferentes para medicamentos.
O Ozempic pode ficar fora da geladeira?
Não. O medicamento precisa ser armazenado em refrigeração entre 2°C e 8°C. Fora dessa faixa de temperatura, pode perder eficácia. Sempre siga as instruções de armazenamento da embalagem e bula.
Quando os preços podem cair?
A entrada de mais concorrentes registrados pela ANVISA e possíveis políticas públicas de negociação de preços podem contribuir para reduções no médio prazo, mas não há previsão concreta de quando isso ocorrerá.
Fontes
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
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