A Eli Lilly desenvolve uma versão oral da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Entenda como funciona, o que os estudos mostram e quando pode chegar ao Brasil.
O que é o Mounjaro em versão oral
A Eli Lilly, farmacêutica responsável pelo Mounjaro injetável, está desenvolvendo uma formulação oral da tirzepatida. Inicialmente conhecida pelo código LY3502970 e pelo nome experimental orforglipron, essa versão agora é chamada de tirzepatida oral, mantendo o mesmo princípio ativo do medicamento injetável. O composto pertence à classe dos agonistas dual dos receptores GIP e GLP-1.
A diferença principal está na forma de administração. Enquanto a caneta é aplicada sob a pele (via subcutânea), o comprimido é absorvido pelo trato gastrointestinal e tomado uma vez ao dia. Essa distinção pode parecer simples, mas representa um desafio técnico considerável, já que formulações orais de peptídeos enfrentam barreiras específicas de absorção intestinal.
Como a tirzepatida oral funciona no corpo
O funcionamento é essencialmente o mesmo da versão injetável. A tirzepatida oral atua em dois receptores importantes: o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Essa atuação dual é considerada uma das razões para a eficácia que a tirzepatida demonstrou em estudos clínicos.
Nos protocolos testados nos ensaios clínicos, a tomada é feita uma vez ao dia, sem necessidade de jejum prolongado antes ou depois da administração. Isso difere da semaglutida oral, que precisa ser ingerida com pelo menos 30 minutos de jejum antes e após o uso para garantir absorção adequada. Essa característica pode facilitar a rotina de quem prefere não lidar com agulhas, mas sem as restrições alimentares da outra opção oral disponível no mercado.
Resultados dos estudos clínicos com tirzepatida oral
Os ensaios clínicos de fase 2 e os estudos SURPASS-PO, que envolveram pessoas com diabetes tipo 2, demonstraram reduções na HbA1c e no peso corporal. Os dados foram publicados em periódicos científicos e considerados suficientemente promissores para justificar a continuidade dos estudos em fases mais avançadas.
Atualmente, os estudos de fase 3 estão em andamento. O programa SURPASS-PEDS, registrado em bases de dados de ensayos clínicos, avalia a tirzepatida oral para tratamento de obesidade em adultos sem diabetes. Os resultados de segurança observados até agora são semelhantes aos da versão injetável, com efeitos gastrointestinais como náusea e diarreia sendo os mais relatados, algo comum em toda a classe dos agonistas de GLP-1.
É importante acompanhar as publicações científicas para acompanhar a evolução desses dados. O OzemNews costuma trazer atualizações sobre novos medicamentos conforme as informações ficam disponíveis.
Diferenças entre a caneta e o comprimido de tirzepatida
A via de administração é a diferença mais evidente. A caneta é aplicada semanalmente por via subcutânea, enquanto o comprimido será tomado diariamente por via oral. Essa mudança na frequência pode influenciar a preferência de cada pessoa, já que algumas preferem lembrar do medicamento apenas uma vez por semana, enquanto outras podem se adaptar melhor a uma rotina diária.
Outro ponto relevante é o status regulatório. A versão injetável da tirzepatida já possui registro pela ANVISA e está disponível no Brasil desde 2023. Já a versão oral ainda não foi aprovada no país, e seu futuro vai depender dos processos de avaliação nas agências reguladoras internacionais e, posteriormente, na agência brasileira.
Ambos compartilham o mesmo princípio ativo, porém as doses e formulações são específicas para cada via de administração, então não se trata simplesmente de trocar injeção por comprimido na mesma quantidade.
Status de aprovação e chegada ao Brasil
A Eli Lilly submeteu a tirzepatida oral para revisão pela FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, e o pedido está em análise. Na União Europeia, o processo de avaliação também está em curso. Essas etapas são fundamentais antes que o medicamento possa chegar a outros mercados.
No Brasil, não há, até o momento, solicitação pública de registro da versão oral da tirzepatida junto à ANVISA. A chegada ao país dependerá desse processo de registro, que pode ocorrer meses ou até anos após as aprovações em outros mercados. Para quem acompanha essas novidades, o OzemNews continua de olho em cada atualização sobre o tema.
Por que a tirzepatida oral pode mudar o tratamento
A versão oral pode ampliar o acesso ao tratamento, já que muitas pessoas ainda têm resistência ou receio em relação ao uso de injeções. Ter a opção de um comprimido pode fazer diferença na decisão de iniciar ou manter o tratamento.
A praticidade do comprimido diário pode melhorar a adesão a longo prazo, especialmente para quem tem dificuldade em incorporar aplicações semanais na rotina. Sem a necessidade de jejum prolongado antes da tomada, o uso fica mais simples comparado a outros medicamentos orais da mesma classe.
Com a expansão das opções terapêuticas, cresce também a possibilidade de personalização do tratamento. Cada pessoa pode encontrar a forma de administração que melhor se encaixa no seu estilo de vida, sempre com acompanhamento médico adequado. Para continuar informado sobre essas novidades, acompanhe o OzemNews e suas matérias sobre medicamentos GLP-1.
Perguntas frequentes
O Mounjaro já está disponível em comprimido no Brasil?
Não. A versão oral da tirzepatida ainda não foi aprovada pela ANVISA. Apenas a versão injetável (caneta) está registrada e disponível no país.
A tirzepatida oral funciona igual à injetável?
Os estudos clínicos de fase 2 indicaram resultados promissores em termos de redução de HbA1c e peso. Ambos compartilham o mesmo mecanismo de ação (agonista dual de GIP e GLP-1), mas as doses e formulações diferem entre as versões.
Preciso ficar em jejum para tomar a tirzepatida oral?
Nos protocolos estudados nos ensaios clínicos, a tirzepatida oral não exigiu jejum prolongado antes ou depois da tomada, diferentemente da semaglutida oral.
Quando a tirzepatida oral pode chegar ao Brasil?
Não há previsão oficial. O medicamento ainda está em análise na FDA (EUA) e no processo de avaliação na Europa. Após essas aprovações, a empresa precisaria submeter pedido separado de registro à ANVISA.
A tirzepatida oral causa os mesmos efeitos colaterais?
Os dados disponíveis indicam que o perfil de segurança é semelhante ao da versão injetável, com efeitos gastrointestinais (como náusea) sendo os mais relatados, algo comum em toda a classe dos agonistas GLP-1.
Fontes
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
Ozempro — Monitor GLP-1
Nunca perca uma dose e registre tudo
Lembretes de aplicação, histórico de doses e um diário de efeitos colaterais — tudo organizado pra levar na consulta.
ou baixe o app