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Quando pausar o GLP-1: protocolos para cirurgias e procedimentos

26 de março de 2026·5 min de leitura·10 views·Equipe Editorial OzemNews
Quando pausar o GLP-1: protocolos para cirurgias e procedimentos

ASA, ERAS e ASGE estabeleceram protocolos para suspensão do GLP-1 antes de cirurgias, colonoscopias e procedimentos odontológicos. Entenda os prazos e os riscos envolvidos.

A relação entre agonistas do receptor de GLP-1 e o esvaziamento gástrico colocou uma questão concreta na pauta da anestesiologia e das especialidades cirúrgicas: quando e por quanto tempo esses medicamentos devem ser suspensos antes de procedimentos que requerem sedação ou anestesia geral?

A preocupação central é o risco de broncoaspiração. Os GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico de forma dose-dependente. Em pacientes submetidos a anestesia geral, a aspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas é uma complicação grave, com mortalidade estimada entre 5% e 7% nos casos sintomáticos, segundo dados publicados no British Journal of Anaesthesia. O risco aumenta quando o estômago não está vazio no momento da indução anestésica.

Até 2023, não havia consenso formal sobre o manejo dos GLP-1 no período pré-operatório. Esse vácuo foi preenchido com publicações das principais sociedades de anestesiologia e endocrinologia, que estabeleceram recomendações baseadas na farmacodinâmica dos medicamentos.

O que a American Society of Anesthesiologists estabeleceu

Em junho de 2023, a American Society of Anesthesiologists (ASA) publicou orientações específicas para o manejo perioperatório dos GLP-1. Para pacientes em uso de formulações de dose semanal, como semaglutida injetável (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), a recomendação é de suspensão por pelo menos 7 dias antes de procedimentos eletivos que requeiram anestesia geral ou sedação profunda.

Para formulações de dose diária, como semaglutida oral ou liraglutida, a ASA recomenda suspensão de 1 dia antes do procedimento.

Essas recomendações foram mantidas e detalhadas na publicação da Perioperative Quality Initiative (POQI), que reuniu anestesiologistas, endocrinologistas e cirurgiões para elaborar um consenso multidisciplinar, publicado no British Journal of Anaesthesia em fevereiro de 2024.

O documento da POQI acrescentou uma nuance importante: a decisão final deve considerar o risco individual. Pacientes com gastroparesia conhecida, histórico de refluxo gastroesofágico significativo ou uso em doses altas têm risco aumentado e podem exigir período de suspensão mais longo, além de jejum estendido no dia da cirurgia.

Colonoscopia: risco diferente, protocolo semelhante

A colonoscopia apresenta um risco distinto. O esvaziamento gástrico retardado não interfere diretamente na visualização do cólon, mas afeta o preparo intestinal. Pacientes em uso de GLP-1 podem apresentar maior dificuldade para completar o preparo com laxativos osmóticos, além de maior risco de resíduo gástrico significativo durante a sedação do procedimento.

A American Society for Gastrointestinal Endoscopy (ASGE) recomenda, em sua diretriz de 2024, a suspensão do GLP-1 por pelo menos 7 dias antes de colonoscopias com sedação, alinhando-se ao protocolo da ASA para procedimentos cirúrgicos. Para colonoscopias sem sedação, a decisão fica a critério do médico assistente.

Estudos de caso publicados em 2023 documentaram episódios de aspiração pulmonar durante colonoscopias com sedação em pacientes que não haviam suspendido o GLP-1 previamente, o que acelerou a formulação das recomendações formais.

Ambiente cirúrgico com instrumentos de procedimento

Procedimentos odontológicos

Os procedimentos odontológicos apresentam uma gradação de risco. Consultas rotineiras sem sedação, como extração simples, restauração ou limpeza, não requerem suspensão do GLP-1. O risco de aspiração é considerado baixo nesse contexto, já que o paciente permanece consciente e com reflexos laríngeos preservados.

A situação muda quando há sedação consciente ou anestesia geral para procedimentos mais extensos, como cirurgias bucomaxilofaciais, extração de sisos com sedação intravenosa ou implantes em múltiplas etapas. Nesses casos, o protocolo segue a mesma recomendação da ASA: suspensão 7 dias antes para formulações semanais, 1 dia para formulações diárias.

Dentistas e cirurgiões bucomaxilofaciais são orientados pelas diretrizes a incluir a pergunta sobre uso de GLP-1 no questionário de saúde pré-procedimento, o que ainda não é prática universal nos consultórios.

O protocolo ERAS e os GLP-1

O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) é um conjunto de diretrizes perioperatórias que buscam reduzir complicações e acelerar a recuperação após cirurgias. Em sua atualização de 2023, o ERAS incorporou recomendações sobre os GLP-1, reconhecendo o crescimento exponencial do uso desses medicamentos na população cirúrgica.

A ERAS recomenda que, na avaliação pré-anestésica, todos os pacientes sejam questionados sobre uso de GLP-1, com documentação do medicamento específico e da dose. A suspensão programada deve ser planejada junto com o endocrinologista ou médico que acompanha o tratamento, para definir como será gerenciado o controle glicêmico ou o peso durante o período sem medicamento.

Para pacientes diabéticos que usam GLP-1 como parte do controle glicêmico, a suspensão pré-operatória requer atenção redobrada. A glicemia pode elevar-se durante o período sem o medicamento, especialmente em pacientes com hemoglobina glicada elevada. O endocrinologista pode recomendar ajuste temporário da insulina ou de outros hipoglicemiantes durante esses dias.

Retomada após o procedimento

A retomada do GLP-1 após cirurgia ou procedimento invasivo também segue orientações específicas. A POQI recomenda aguardar a retomada da alimentação por via oral antes de reiniciar o medicamento, dado que o retardo do esvaziamento gástrico pode agravar náuseas pós-operatórias quando o trato digestivo está em fase de recuperação.

Em cirurgias abdominais maiores, onde o retorno da motilidade gastrointestinal pode levar dias, a retomada do GLP-1 costuma ser postergada até a liberação da dieta oral plena pelo cirurgião.

Plataformas de monitoramento como o Ozempro permitem que o paciente registre interrupções e retomadas do tratamento, mantendo o médico informado sobre o histórico completo de uso, o que é especialmente útil no planejamento perioperatório.

O questionário disponível por aqui ajuda a mapear o perfil de uso e as condições de saúde do paciente, o que pode ser um insumo útil na conversa com a equipe cirúrgica antes de qualquer procedimento.

Conteúdos relacionados sobre o manejo do GLP-1 estão disponíveis em Efeitos colaterais do GLP-1: dados clínicos e protocolo, em Efeitos colaterais do GLP-1: quando se preocupar e em Efeitos colaterais GLP-1: dados clínicos.

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Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.

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