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Tratamento

Mounjaro vs Ozempic: o que os dados dos grandes trials dizem sobre eficácia e perfil de efeitos

24 de março de 2026·7 min de leitura·5 views·Equipe Editorial OzemNews
Mounjaro vs Ozempic: o que os dados dos grandes trials dizem sobre eficácia e perfil de efeitos

Dois medicamentos dominam o debate sobre tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. O Ozempic, com semaglutida, e o Mounjaro, com tirzepatida, acumularam nos últimos anos um volume expressivo de evidências clínicas. Os números são concretos. As diferenças, também.

Mecanismo de ação: por que os dois não são a mesma coisa

A semaglutida age como agonista do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Esse receptor está presente no pâncreas, no cérebro e no trato gastrointestinal. Quando ativado, estimula a secreção de insulina dependente de glicose, reduz o glucagon e retarda o esvaziamento gástrico. O resultado prático é saciedade prolongada e controle glicêmico mais estável.

A tirzepatida vai além. Ela atua simultaneamente em dois receptores: GLP-1 e GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). O receptor GIP tem papel relevante no metabolismo de gordura e na sensibilidade à insulina. A ativação dual produz efeitos sinérgicos que, nos ensaios clínicos, se traduziram em maior perda de peso e melhor controle glicêmico em relação à monoterapia com GLP-1.

Essa distinção mecanística não é meramente teórica. Ela tem consequências diretas nos resultados observados nos grandes estudos publicados.

STEP-1: o que a semaglutida mostrou no cenário da obesidade

O estudo STEP-1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, avaliou semaglutida 2,4 mg subcutânea semanal em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades, sem diabetes tipo 2. O ensaio incluiu 1.961 participantes e durou 68 semanas.

O resultado primário foi uma perda de peso média de 14,9% no grupo semaglutida, contra 2,4% no placebo. Mais de 86% dos participantes no grupo ativo perderam pelo menos 5% do peso corporal. Cerca de 50% perderam mais de 15%. Os dados de pressão arterial, circunferência da cintura e marcadores cardiometabólicos também melhoraram de forma consistente.

O STEP-1 estabeleceu a semaglutida como referência no tratamento farmacológico da obesidade. Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais: náusea em 44% dos participantes, diarreia em 30% e vômito em 24%. A maioria dos casos foi de intensidade leve a moderada e ocorreu principalmente nas primeiras semanas de titulação.

A plataforma OZEMpro reúne esses dados clínicos para auxiliar pacientes na compreensão do seu perfil antes de qualquer consulta médica.

SURMOUNT-1: a tirzepatida entra com resultados mais elevados

O estudo SURMOUNT-1, publicado no NEJM em 2022, trouxe a tirzepatida ao debate com dados de 2.539 adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2, ao longo de 72 semanas.

Na dose de 15 mg, a tirzepatida produziu perda de peso média de 20,9%. Na dose de 10 mg, o resultado foi 19,5%. Na dose de 5 mg, 15,0%. O placebo registrou 3,1% de redução.

Esses números chamam atenção. A dose máxima de tirzepatida gerou perda de peso que ultrapassa o que se observava anteriormente apenas com procedimentos bariátricos. Entre os participantes que receberam 15 mg, mais de 56% perderam pelo menos 20% do peso corporal.

Os efeitos adversos mais comuns com tirzepatida foram também gastrointestinais, mas com um perfil ligeiramente diferente: náusea entre 28% e 33% dependendo da dose, diarreia entre 17% e 22%, e constipação entre 11% e 14%. A constipação aparece com mais frequência na tirzepatida do que na semaglutida, enquanto a náusea parece ser um pouco mais pronunciada com semaglutida.

Comparação visual de medicamentos e cápsulas

SURPASS-2 e a comparação direta em diabéticos tipo 2

O único ensaio que colocou tirzepatida e semaglutida frente a frente foi o SURPASS-2, publicado em 2021. O estudo avaliou pacientes com diabetes tipo 2 inadequadamente controlados com metformina. A semaglutida utilizada foi de 1 mg, a dose aprovada para diabetes, não a dose de obesidade de 2,4 mg.

Nos dados de HbA1c, a tirzepatida 15 mg reduziu 2,58 pontos percentuais contra 1,86 ponto da semaglutida 1 mg. A diferença é de 0,72 ponto percentual a favor da tirzepatida. Para peso corporal, a tirzepatida 15 mg reduziu 12,4 kg contra 6,2 kg da semaglutida 1 mg.

O SURPASS-CVOT, publicado em 2024 no NEJM, avaliou desfechos cardiovasculares maiores. A tirzepatida foi não inferior à semaglutida 1 mg para o desfecho composto de morte cardiovascular, infarto não fatal e AVC não fatal. A taxa de eventos foi de 7,0% com tirzepatida contra 7,9% com semaglutida, com hazard ratio de 0,85 (IC 95%: 0,71 a 1,00).

Esses dados são relevantes, mas uma ressalva técnica precisa ser colocada: o SURPASS-2 e o SURPASS-CVOT compararam tirzepatida com semaglutida 1 mg, não com semaglutida 2,4 mg. Não existe, até o momento, um ensaio clínico randomizado direto comparando as doses aprovadas para obesidade das duas moléculas. Tirzepatida 15 mg versus semaglutida 2,4 mg nunca foi testada head-to-head em um RCT.

Essa lacuna limita qualquer conclusão categórica sobre superioridade para o tratamento da obesidade. Comparações indiretas existem e apontam para uma vantagem numérica da tirzepatida, mas a metodologia dos estudos STEP e SURMOUNT difere em tempo de seguimento, população e critérios de inclusão.

O que dizem os dados de comorbidades

Além do peso, os dois medicamentos têm dados sobre comorbidades. A semaglutida tem um conjunto de evidências cardiovasculares mais maduro. O estudo SELECT, publicado em 2023, mostrou redução de 20% no risco de eventos cardiovasculares maiores com semaglutida 2,4 mg em pessoas com obesidade e doença cardiovascular estabelecida, sem diabetes.

A tirzepatida tem dados mais recentes nesse campo. O SURMOUNT-MMO, voltado para desfechos cardiovasculares na obesidade sem diabetes, ainda não publicou seus resultados finais.

Para diabetes tipo 2 especificamente, a tirzepatida demonstrou reduções de HbA1c superiores em todos os estudos do programa SURPASS. A meta de HbA1c abaixo de 7%, recomendada por diretrizes como as da ADA, foi atingida por mais de 92% dos participantes que usaram tirzepatida 15 mg no SURPASS-2, contra 81% com semaglutida 1 mg.

Perfil de segurança: semelhanças e diferenças

Os dois medicamentos têm perfil de segurança amplamente comparável. Os eventos adversos mais comuns são gastrointestinais e relacionados ao mecanismo de ação compartilhado no receptor GLP-1. As diferenças mais observadas nos estudos:

  • Náusea: 44% com semaglutida (STEP-1) versus 28-33% com tirzepatida (SURMOUNT-1)
  • Constipação: 11-14% com tirzepatida versus 6-7% com semaglutida
  • Descontinuação por eventos adversos: 7,0% na semaglutida e 4-6% na tirzepatida
  • Contraindicação formal em ambas: histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide
  • Pancreatite aguda: evento adverso raro, mas documentado nos dois medicamentos
Essa análise de tolerabilidade é um dos pontos que ferramentas como o OZEMpro ajudam a mapear antes da avaliação médica formal.

Para quem cada medicamento pode fazer mais sentido

A avaliação de qual medicamento é mais adequado depende de múltiplos fatores clínicos. Para pacientes com diabetes tipo 2, a tirzepatida demonstrou resultados superiores em controle glicêmico e perda de peso nos estudos head-to-head disponíveis. Para pacientes com obesidade sem diabetes, os dados cardiovasculares da semaglutida são mais robustos no momento, embora os estudos com tirzepatida nesse campo estejam em andamento.

Tolerabilidade individual também conta. Pacientes com histórico de náusea intensa podem tolerar melhor a tirzepatida. Quem tem problemas de constipação pode se sair melhor com semaglutida. Essa análise requer avaliação médica individual.

O acesso a esses medicamentos também varia. A semaglutida tem disponibilidade maior no mercado brasileiro, com versões genéricas e biossimilares em produção. A tirzepatida chegou mais recentemente e ainda tem custo mais elevado na maioria dos mercados.

O que ainda falta saber

A lacuna central permanece: não há RCT direto comparando tirzepatida 15 mg com semaglutida 2,4 mg para obesidade. Os dados existentes permitem inferências, mas não conclusões definitivas sobre superioridade absoluta. Estudos de longo prazo sobre manutenção de peso após descontinuação também ainda estão em desenvolvimento para as duas moléculas.

O campo evolui com velocidade. Novos dados de extensão dos estudos SURMOUNT e STEP continuam sendo publicados. Cada nova análise acrescenta informação sobre durabilidade dos efeitos, resposta em subgrupos e segurança a longo prazo.

Para pacientes que querem entender melhor qual opção se alinha ao seu perfil clínico, o quiz do OZEMpro oferece uma avaliação inicial baseada nas evidências disponíveis.

Os dados estão claros em um ponto: tanto Mounjaro quanto Ozempic representam avanços reais no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A escolha entre eles não deve ser baseada em preferência pessoal ou tendências de mercado, mas na análise cuidadosa de perfil clínico, tolerabilidade e objetivos terapêuticos individuais, sempre com orientação médica.

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Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.

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